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sábado, 19 de março de 2011

EIKE BATISTA: O VERDADEIRO DONO DO MARANHÃO


Do Blog Marrapá: Carne Moída com Quiabo

Essa semana e pela milionésima vez, o empresário Mineiro, radicado no Rio, Eike Batista virou notícia em todos os lugares. Desta feita porque apareceu no ranking da Revista Forbes como o 8º homem mais rico do mundo, acumulando uns trocados que giram na casa dos US$ 30 bilhões. Mas Eike não costuma ocupar o noticiário apenas por ser multi milionário. Acostumado com a mídia por conta de seu casamento conturbado com Luma de Oliveira, Batista é o tipo de magnata que se destaca porque não vende apenas produtos, mas, sobretudo por vender um estilo de vida. Já o vi caminhando calmamente na Lagoa Rodrigo de Freitas em Ipanema, distribuindo sorrisos tão verdadeiros quanto sua cabeleira e ostentando uma vida luxuosa e falsamente despreocupada. Em 2009, a OGX, uma de suas empresas, passou a valer bilhões sem ter extraído uma gota sequer de petróleo e Eike foi parar nas capas de revistas como um dos homens mais influentes do Brasil naquele ano.

Como ele consegue? Muito simples, amados: Uma combinação de marketing, oportunismo, sorte, experiência na área e claro, conchavos políticos.

Eike é filho de um engenheiro de mineração, chamado Eliezer Batista. Eliezer ficou rico e conhecido no Brasil quando era presidente da ainda Estatal Companhia Vale do Rio Doce e comandou o Projeto Carajás de exploração mineral, iniciado em 1980 e que estendeu-se por uma rica área que corresponde a um décimo do território brasileiro, englobando terras do sudoeste do Pará, norte de Tocantins e… advinhem, adivinhem !! Sim, sim, do Oeste do nosso Maranhão. Foi graças ao projeto Carajás que a Vale se tornou uma das maiores mineradoras do Planeta. No Maranhão, a exploração de minério patrocinada pelo projeto Carajás só pôde estender seus tentáculos em função da Lei de Terras nº 2.979 instituída em 1969 por obra e graça do então governador do estado, ele mesmo, José Sarney. A Lei de Terras em resumo, destinou territórios férteis e úmidos que deveriam ser usados para assentamentos dos flagelados da seca, para as mãos dos grandes agropecuaristas e grupos empresariais, o que gerou conflitos de terras que se desdobram até hoje, mas também gerou a fortuna de gente como o pai de Eike e o filho herdou o mesmo interesse pelo Maranhão. Em 2006, talvez para retribuir os favores que Sarney fez a seu pai (será?), Eike fez uma gorda doação a campanha de Roseana Sarney ao governo do Estado, nesse mesmo ano doou dinheiro para a campanha de Lula (cerca de um milhão de reais) e deu dinheiro também para o candidato ao governo do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. Curiosamente, os negócios de Eike prosperaram ainda mais exatamente nos Estados cujos candidatos foram financiados por ele: Rio de Janeiro de Sérgio Cabral e o Maranhão de Roseana Sarney. No Maranhão, Eike conta com a ampla colaboração do governo em seus negócios. Aliás, o governo do Maranhão mais parece o quintal da casa de Eike. Lá ele obtém tudo que deseja com facilidade e rapidez espantosas: licenciamento ambiental, corpo mole para fazer a GASMAR – empresa estatal que possui o controle da distribuição de gás no Estado, mas so existe na ficção – e assim, Eike Batista trata as reservas de gás do estado como se fossem exclusivamente suas, ele já decidiu, por exemplo, que vai usar o gás para alimentar usinas termelétricas que serão construídas por ele mesmo e vender a energia que elas gerarem para mega indústrias em regiões mais desenvolvidas do país. Algo semelhante com o que acontece na monocultura da soja do sul do Estado: os Maranhenses servindo de mão de obra barata, o território sendo explorado por ricos empreendedores e a riqueza produzia por isso passando apenas na porta dos paupérrimos habitantes do Estado em direção aos grandes centros, uma vez que as usinas que Eike pretende construir exige mão de obra qualificada, coisa que no Maranhão não existe em grande escala.

E o Maranhão, cuja governadora recebeu uma dinheirama de financiamento de campanha diretamente das mãos do Eike, faz o que para impedir que ele se apodere do gás Maranhense do jeito que bem entender? Nada. Quando descobriu o potencial das reservas de gás do Maranhão, Batista aproveitou para fazer o que sabe melhor: Propaganda. Mesmo antes de estudos conclusivos a respeito da quantidade de gás nas reservas do interior do Estado, ele foi logo dizendo que o Maranhão tinha tanto gás quanto metade da Bolívia e isso por si so foi o suficiente para que ações de suas empresas no estado – a MPX e a OGX – disparassem no mercado.Ganhou dinheiro so fazendo alarde do potencial de seus domínios: as terras do interior do Estado.

Com licença ambiental concedida pela secretaria de Estado do Meio Ambiente lhe dando permissão para fazer o que quiser no subsolo Maranhense, Eike anunciou que já comprou outra sonda de perfuração terrestre para usar na Bacia do Parnaíba. LEIA AQUI.

Azar do Maranhão, sorte do bilionário. Oportunismo do Sarney, mas uma vez.

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